segunda-feira, 7 de dezembro de 2015


O uso correto do Quadro negro ou Lousa

A presente reflexão tem a finalidade de analisar a utilização do quadro-negro pelo professor, facilitando o processo de ensino e aprendizagem. Talvez o objetivo deste estudo seja por demais ambicioso, mas não deixa de ser uma tentativa de sistematizar condutas que possam ser aplicadas por educadores que amam o que fazem, que desejam desestruturar idéias pré-concebidas e que iniciam processos de transformação em seus tutelados. Este artigo visa o educador que, atento aos outros recursos audiovisuais, reconhece a importância do tradicional quadro-negro e suas vantagens, principalmente quando emprega a aula expositiva como técnica preponderante, estando preparado a qualquer eventualidade que possa vir a ocorrer dentro da sala de aula, bem como para o uso de outro auxiliar pluris sensorial. Sabe-se que método é o caminho ideal percorrido pela mente, não físico, sendo uma maneira de pensar, como por exemplo os métodos de produção, construção e ampliação do conhecimento. O método pode ser indutivo ou derivado da observação, pelo qual fatos isolados se conectam entre si, fazendo uma posterior generalização, o que se denomina de tratamento estatístico. O método dedutivo parte do geral para cair no particular, ou seja, o conceito estudado é, posteriormente, dividido em partes. O método indutivo-dedutivo é uma composição entre os dois anteriores. O método dialético, segundo Hegel, parte de uma verdade (tese) que será, necessariamente, contestada ou negada (anti-tese/antítese), para se chegar ao resultado final (síntese), que não deixa de ser a nova tese. Existem, ainda, os métodos de ensino que servem para garantir a transmissão do conhecimento, isto é, transmissivo-expositivo. O transmissivo originou-se na escola tradicional e tem por objetivo a transferência de informações aos alunos. O ativo é derivado da escola nova, segundo o qual o professor é um mediador entre alunos e conhecimento; e dá ênfase ao construtivismo.
Com isso, técnicas são maneiras de percorrer o caminho ideal do método. O método pode se tornar técnica se somente uma técnica é utilizada. De maneira que método expositivo é diferente de aula expositiva. A técnica pode ser presencial (individual, coletiva ou mista) ou à distância. A técnica presencial pode ser centrada no professor (exposição e demonstração dos conteúdos) ou no aluno. A técnica presencial centrada no aluno pode ser individual (quando o discente a realiza sozinho – observação, leitura, instrução programada, programas de computador e estudos de texto), individual-coletiva (estudo dirigido, aulas dialogadas entre professor e alunos, bem como experimentação em laboratórios com participação efetiva dos discentes) e coletiva (trabalhos em grupo, com atividades sócio-interacionistas – seminários, painéis, mesas-redondas, workshops, debates, projetos interdisciplinares). Os discentes, quando em sala de aula, ouvem e pensam, para que captem as informações passadas pelos docentes. Todavia, os alunos podem aprender mais com aquilo que visualizam, transformando as informações em conhecimento. Após a transferência da informação, o conhecimento manifesta-se por meio da tradução e reconstrução de signos, sinais, símbolos, outras formas representativas, idéias, discursos e teorias. As novas tecnologias, além de facilitarem o acesso à informação, podem favorecer a expressividade, participação, criatividade e o próprio processo de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, aprendizagem é um processo interno e continuado de evolução, sendo uma relação do sujeito com o novo, uma mudança de comportamento visível, por meio da aquisição de habilidades, competências e conhecimento. Ensino, por outro lado, também é um processo, sempre intencional, de estimulação e provocação da aprendizagem, fragmentando os conteúdos de seus contextos naturais. Portanto, a educação, entendida como processo contínuo, individual ou coletivo, de desenvolvimento pessoal inserido pela Sociedade e fundado no cotidiano do discente, deve ter ciência que o conhecimento evolui pela possibilidade de sua integração em um contexto global e não apenas pela sofisticação, abstração ou formalização. A produção de conhecimento está intimamente vinculada à percepção da realidade, ao pensamento crítico e à linguagem Segundo Piletti (2004), Ferreira e Silva Júnior (1975; 1986), existem pesquisas informando que o aprendizado vincula-se preponderantemente à visão (83%) e que a qualidade dos dados retidos está ligada às atividades realizadas pelo aluno depois do aprendizado, ou seja, absorve-se 50% do que se vê e escuta, 70% do que se ouve e logo discute e 90% do que se escuta e logo realiza ou escreve. Além disso, a possibilidade de retenção de informações é maior se o método de ensino visual se combina com o oral, pois, após 3 horas, retém-se 85% das informações e, depois de 3 dias, 65% das mesmas, o que é bem superior aos resultados dos métodos exclusivamente oral ou visual. Nesse ínterim, os recursos audiovisuais aparecem como instrumento das técnicas de ensino e aprendizagem, podendo aumentar a eficiência dos procedimentos didáticos. Destaca-se que os mesmos são, então, apenas meio e não fim. Nesse sentido, “podemos identificar os recursos audiovisuais com os tradicionais materiais didáticos, entendendo-se por isso todos os auxiliares ou meios “materiais” que se dirigem, inicialmente, aos órgãos sensoriais”2 .
É fato incontroverso, então, que a aprendizagem não decorre de elemento exclusivamente sensorial, já que necessita de estruturas mentais mais complexas e elaboradas do que a já citada, mas nada impede a facilitação ou a maximização da retenção das informações através dos recursos audiovisuais Entretanto, a classificação predominante no Brasil é a de Parra (1972; 1976), pela qual os materiais auxiliares do processo de ensino e aprendizagem dividem-se em três categorias diferentes, tendo em vista o sentido empregado. A primeira, recursos visuais, que somente utilizam a visão (códigos digitais escritos e analógicos: icônicos, esquemáticos e abstratos-emocionais). A segunda, recursos auditivos, que precisam exclusivamente da audição (códigos digitais orais e analógicos). A terceira e última, recursos audiovisuais propriamente ditos, que apelam tanto para os estímulos visuais quanto auditivos. Enfim, o quadro-negro ou lousa, independentemente de sua cor (verde, bege ou branca), é um símbolo visual (abstrato) na classificação Dale, enquanto se inclui nos recursos visuais, em conformidade com a categoria taxonômica de Parra.
A aula expositiva, “em geral, baseia-se na apresentação oral de um tema, pelo professor, e pode contar com maior ou menor participação dos alunos, dependendo da proposta e dos objetivos de ensino”7 . Não se entrará no mérito, positivo ou não, da aula expositiva, mas, neste momento, abre-se um parêntesis para dizer que a aula expositiva é um dos procedimentos centralizadores mais utilizados e difundidos no meio escolar brasileiro. De qualquer forma, é necessário ter em mente que a aula expositiva constitui técnica cuja utilização tem seu importante lugar no processo educativo. É preciso esclarecer, contudo, que não é o único. Como exemplo de outras ações centradas no  professor que também podem se valer do quadro-negro, pode-se citar a aula dialogada e o debate com a turma toda, coordenado pelo professor. Outro motivo para o estudo sobre o quadro-negro é que ele é característica universal em qualquer sala de aula, podendo-se presumir sua existência no referido ambiente acadêmico, pois é facilmente encontrado. Além disso, é o recurso visual mais empregado pelos docentes, já que se trata de evidente auxílio e apoio ao desenvolvimento das aulas.
Ferrés (2001) destaca que os recursos audiovisuais tradicionais não podem ser marginalizados, informando que se deve “tirar vantagem daquilo que cada meio é capaz de oferecer”9 , e demonstra a importância do quadro-de-giz ao dizer que: É o meio mais acessível, mais econômico, mais fácil de usar. Tem os inconvenientes de que a informação não é permanente e de que o professor deve dar as costas aos alunos enquanto nele escreve ou desenha. Mas é extremamente funcional para esquematizar ou para transmitir informações diretas, simples; por exemplo, para demonstrar o que são duas linhas paralelas. Também para que os alunos possam praticar ou expor conhecimentos que devem ser divididos com a turma10 . Mesmo nesta moderna era do espaço, o quadro-negro continua a ser um meio básico para a apresentação de fatos. Os professores poderão empregá-lo com maior eficiência, se compreenderem de maneira mais completa as suas características, flexibilidade e oportunidades que oferece para a instrução eficiente 11 .
Piletti apresenta, ainda, outras vantagens da lousa:
 • Pode ser utilizada facilmente: não exige habilidades especiais nem equipamentos dispendiosos.
 • Facilita a correção e as alterações nos assuntos apresentados.
 • Torna possível participação efetiva da classe: os alunos podem escrever na lousa.
 • É um recurso econômico . 
De forma que a correta utilização do quadro-negro pelo educador pode apoiar sua exposição, atrair a atenção dos educandos para o que é mais adequado,  principalmente o que se deseja explicitar com detalhes, facilitando a compreensão e fixação dos diversos conteúdos da disciplina e aumentando, ainda, o aproveitamento das lições pelos discentes. Em conclusão, o quadro-negro é um excelente meio visual, se empregado corretamente, já que pode servir para a apresentação direta de qualquer conteúdo ou assunto dos currículos escolares.

http://www.publicadireito.com.br/conpedi/manaus/arquivos/anais/bh/magno_federici_gomes.pdf

Grupo : Daiane Chader,  Lorenna Barbosa e Raquel Costa