O uso correto do Quadro negro ou Lousa
A presente reflexão tem a finalidade de analisar a utilização do quadro-negro
pelo professor, facilitando o processo de ensino e aprendizagem. Talvez o objetivo deste
estudo seja por demais ambicioso, mas não deixa de ser uma tentativa de sistematizar
condutas que possam ser aplicadas por educadores que amam o que fazem, que desejam
desestruturar idéias pré-concebidas e que iniciam processos de transformação em seus
tutelados.
Este artigo visa o educador que, atento aos outros recursos audiovisuais,
reconhece a importância do tradicional quadro-negro e suas vantagens, principalmente
quando emprega a aula expositiva como técnica preponderante, estando preparado a
qualquer eventualidade que possa vir a ocorrer dentro da sala de aula, bem como para o
uso de outro auxiliar pluris sensorial.
Sabe-se que método é o caminho ideal percorrido pela mente, não físico, sendo
uma maneira de pensar, como por exemplo os métodos de produção, construção e
ampliação do conhecimento. O método pode ser indutivo ou derivado da observação, pelo qual fatos isolados se conectam entre si, fazendo uma posterior generalização, o
que se denomina de tratamento estatístico. O método dedutivo parte do geral para cair
no particular, ou seja, o conceito estudado é, posteriormente, dividido em partes. O
método indutivo-dedutivo é uma composição entre os dois anteriores. O método
dialético, segundo Hegel, parte de uma verdade (tese) que será, necessariamente,
contestada ou negada (anti-tese/antítese), para se chegar ao resultado final (síntese), que
não deixa de ser a nova tese.
Existem, ainda, os métodos de ensino que servem para garantir a transmissão do
conhecimento, isto é, transmissivo-expositivo. O transmissivo originou-se na escola
tradicional e tem por objetivo a transferência de informações aos alunos. O ativo é
derivado da escola nova, segundo o qual o professor é um mediador entre alunos e
conhecimento; e dá ênfase ao construtivismo.
Com isso, técnicas são maneiras de percorrer o caminho ideal do método. O
método pode se tornar técnica se somente uma técnica é utilizada. De maneira que
método expositivo é diferente de aula expositiva. A técnica pode ser presencial
(individual, coletiva ou mista) ou à distância. A técnica presencial pode ser centrada no
professor (exposição e demonstração dos conteúdos) ou no aluno. A técnica presencial
centrada no aluno pode ser individual (quando o discente a realiza sozinho –
observação, leitura, instrução programada, programas de computador e estudos de
texto), individual-coletiva (estudo dirigido, aulas dialogadas entre professor e alunos,
bem como experimentação em laboratórios com participação efetiva dos discentes) e
coletiva (trabalhos em grupo, com atividades sócio-interacionistas – seminários, painéis,
mesas-redondas, workshops, debates, projetos interdisciplinares).
Os discentes, quando em sala de aula, ouvem e pensam, para que captem as
informações passadas pelos docentes. Todavia, os alunos podem aprender mais com aquilo que visualizam, transformando as informações em conhecimento. Após a
transferência da informação, o conhecimento manifesta-se por meio da tradução e
reconstrução de signos, sinais, símbolos, outras formas representativas, idéias, discursos
e teorias.
As novas tecnologias, além de facilitarem o acesso à informação, podem
favorecer a expressividade, participação, criatividade e o próprio processo de ensino e
aprendizagem. Nesse contexto, aprendizagem é um processo interno e continuado de
evolução, sendo uma relação do sujeito com o novo, uma mudança de comportamento
visível, por meio da aquisição de habilidades, competências e conhecimento. Ensino,
por outro lado, também é um processo, sempre intencional, de estimulação e
provocação da aprendizagem, fragmentando os conteúdos de seus contextos naturais.
Portanto, a educação, entendida como processo contínuo, individual ou coletivo,
de desenvolvimento pessoal inserido pela Sociedade e fundado no cotidiano do
discente, deve ter ciência que o conhecimento evolui pela possibilidade de sua
integração em um contexto global e não apenas pela sofisticação, abstração ou
formalização. A produção de conhecimento está intimamente vinculada à percepção da
realidade, ao pensamento crítico e à linguagem Segundo Piletti (2004), Ferreira e Silva Júnior (1975; 1986), existem pesquisas
informando que o aprendizado vincula-se preponderantemente à visão (83%) e que a
qualidade dos dados retidos está ligada às atividades realizadas pelo aluno depois do
aprendizado, ou seja, absorve-se 50% do que se vê e escuta, 70% do que se ouve e logo
discute e 90% do que se escuta e logo realiza ou escreve. Além disso, a possibilidade de
retenção de informações é maior se o método de ensino visual se combina com o oral,
pois, após 3 horas, retém-se 85% das informações e, depois de 3 dias, 65% das mesmas,
o que é bem superior aos resultados dos métodos exclusivamente oral ou visual.
Nesse ínterim, os recursos audiovisuais aparecem como instrumento das técnicas
de ensino e aprendizagem, podendo aumentar a eficiência dos procedimentos didáticos.
Destaca-se que os mesmos são, então, apenas meio e não fim. Nesse sentido, “podemos
identificar os recursos audiovisuais com os tradicionais materiais didáticos, entendendo-se
por isso todos os auxiliares ou meios “materiais” que se dirigem, inicialmente, aos
órgãos sensoriais”2
.
É fato incontroverso, então, que a aprendizagem não decorre de elemento
exclusivamente sensorial, já que necessita de estruturas mentais mais complexas e
elaboradas do que a já citada, mas nada impede a facilitação ou a maximização da
retenção das informações através dos recursos audiovisuais Entretanto, a classificação predominante no Brasil é a de Parra (1972; 1976),
pela qual os materiais auxiliares do processo de ensino e aprendizagem dividem-se em
três categorias diferentes, tendo em vista o sentido empregado. A primeira, recursos
visuais, que somente utilizam a visão (códigos digitais escritos e analógicos: icônicos,
esquemáticos e abstratos-emocionais). A segunda, recursos auditivos, que precisam
exclusivamente da audição (códigos digitais orais e analógicos). A terceira e última,
recursos audiovisuais propriamente ditos, que apelam tanto para os estímulos visuais
quanto auditivos.
Enfim, o quadro-negro ou lousa, independentemente de sua cor (verde, bege ou
branca), é um símbolo visual (abstrato) na classificação Dale, enquanto se inclui nos
recursos visuais, em conformidade com a categoria taxonômica de Parra.
A aula expositiva, “em geral, baseia-se na apresentação oral de um tema, pelo
professor, e pode contar com maior ou menor participação dos alunos, dependendo da
proposta e dos objetivos de ensino”7
. Não se entrará no mérito, positivo ou não, da aula
expositiva, mas, neste momento, abre-se um parêntesis para dizer que a aula expositiva
é um dos procedimentos centralizadores mais utilizados e difundidos no meio escolar
brasileiro. De qualquer forma, é necessário ter em mente que a aula expositiva constitui
técnica cuja utilização tem seu importante lugar no processo educativo. É preciso
esclarecer, contudo, que não é o único. Como exemplo de outras ações centradas no professor que também podem se valer do quadro-negro, pode-se citar a aula dialogada e
o debate com a turma toda, coordenado pelo professor.
Outro motivo para o estudo sobre o quadro-negro é que ele é característica
universal em qualquer sala de aula, podendo-se presumir sua existência no referido
ambiente acadêmico, pois é facilmente encontrado. Além disso, é o recurso visual mais
empregado pelos docentes, já que se trata de evidente auxílio e apoio ao
desenvolvimento das aulas.
Ferrés (2001) destaca que os recursos audiovisuais tradicionais não podem ser
marginalizados, informando que se deve “tirar vantagem daquilo que cada meio é capaz
de oferecer”9
, e demonstra a importância do quadro-de-giz ao dizer que:
É o meio mais acessível, mais econômico, mais fácil de usar. Tem os
inconvenientes de que a informação não é permanente e de que o professor
deve dar as costas aos alunos enquanto nele escreve ou desenha. Mas é
extremamente funcional para esquematizar ou para transmitir informações
diretas, simples; por exemplo, para demonstrar o que são duas linhas
paralelas. Também para que os alunos possam praticar ou expor
conhecimentos que devem ser divididos com a turma10
. Mesmo nesta moderna era do espaço, o quadro-negro continua a ser um meio
básico para a apresentação de fatos. Os professores poderão empregá-lo com
maior eficiência, se compreenderem de maneira mais completa as suas
características, flexibilidade e oportunidades que oferece para a instrução
eficiente 11
.
Piletti apresenta, ainda, outras vantagens da lousa:
• Pode ser utilizada facilmente: não exige habilidades especiais nem
equipamentos dispendiosos.
• Facilita a correção e as alterações nos assuntos apresentados.
• Torna possível participação efetiva da classe: os alunos podem escrever
na lousa.
• É um recurso econômico .
De forma que a correta utilização do quadro-negro pelo educador pode apoiar
sua exposição, atrair a atenção dos educandos para o que é mais adequado, principalmente o que se deseja explicitar com detalhes, facilitando a compreensão e
fixação dos diversos conteúdos da disciplina e aumentando, ainda, o aproveitamento das
lições pelos discentes. Em conclusão, o quadro-negro é um excelente meio visual, se
empregado corretamente, já que pode servir para a apresentação direta de qualquer
conteúdo ou assunto dos currículos escolares.
http://www.publicadireito.com.br/conpedi/manaus/arquivos/anais/bh/magno_federici_gomes.pdf
Grupo : Daiane Chader, Lorenna Barbosa e Raquel Costa
































